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A construção do pequeno cidadão

A construção da cidadania hoje é i, dos temas transversais que a escola precisa trabalhar. Desde a educação infantil, a escola tem de se preocupar em desenvolver a cidadania na criança. Alguns temas como, dignidade do ser humano, a igualdade de direitos, a importância do respeito e da solidariedade, não discriminação dos colegas que tem dificuldade intelectual, auditiva ou de fala, devem ser abordados para que as crianças aprendam a respeitar o outro.

A escola tem obrigação de desenvolver formas de inserção sócio-políticas e culturais para formar o cidadão. A criança é como uma pedra bruta que precisa ser lapidada e para aprender o verdadeiro sentido da cidadania é preciso fazer com que ela pense sobre suas atitudes. A mudança começa por aprender a respeitar desde o meio ambiente e uma plantinha até as diferenças de cor, sexo, raça e orientação sexual de cada pessoa. Através de dinâmicas de grupo e técnicas específicas, a escola consegue conscientizar a criança sobre a importância da cidadania.

É necessário ensinar o aluno ͞aprender a aprender͟, ou seja, respeitar as suas limitações e a do outro para crescer como cidadão e a aprender novos saberes. Um fator importante é que os profissionais que lidam com essas crianças conheçam sua história, sua família e estejam atentos à realidade na qual o aluno vive para transformá-lo, principalmente quando apresenta problema de comportamento. Ter uma dinâmica de ensino que favoreça ao professor descobrir o potencial de trabalho individual e coletivo de cada criança é uma maneira de orientar o aluno quando suas habilidades e capacidade de trabalhar em grupo e conscientizá-lo de que suas atitudes podem refletir no coletivo.

Tudo o que vem acontecendo na sociedade, uma empregada que é agredida, uma prostituta que sofre discriminação, um mendigo apedrejado, um índio que é queimado, são indícios do caráter de sensibilidade e humanidade que estamos desenvolvendo nessas crianças. Falta base escolar e familiar para que os futuros cidadãos aprendam a respeitar as diferenças.

O processo de ensino-aprendizagem tem de permitir ao aluno crias. Nada pode serdado pronto, o professor deve questionar e instigar o tempo todo e fazê-lo pensar sobre suas atitudes pessoais. Por isso, os Parâmetros Curriculares Nacionais sugerem uma série de temas transversais como: ética, meio ambiente, pluralidade cultural, saúde, orientação sexual, temas locais, trabalho, consumo e cidadania. O debate dessas questões é uma forma de desenvolver o espírito critico e de liderança, formando cidadãos capazes de lidar com novos desafios e que respondam às mudanças da sociedade contemporânea.

FILHOS: O RETRATO DA FAMÍLIA

Nas relações familiares as atitudes dos pais em formar um vínculo com os filhos devem começa desde o berço e estes devem manter condutas semelhantes sobre as regras de educação, pois as crianças introjetam os módulos visualizados.

Os pais devem entrar sempre em um acordo na forma de educar e nunca poderão ter divergências na frente do filho, pois o deixará confuso em suas atitudes, gerando assim uma personalidade comprometida que poderá ter consequências danosas, como uma personalidade dispersa, sem concentração ou até mesmo desenvolver uma doença psíquica.Se a criança tem uma infância saudável e com pais equilibrados que saibam dosar os limites e os afetos, com certeza terá como resultado um adulto também equilibrado.

Assim podemos dizer que pais muito severos, carinhosos, permissivos ou omissos, terão como retrato os seus filhos também dessa forma. É comum que em famílias autoritárias os filhos usem o negativismo para enfrentarem os adultos. Dizer ͞não͟ é a forma encontrada pela criança para demonstrar superioridade em relação à postura, também autoritária, dos pais. Muitas vezes os pais tentam, de forma equivocada, transformar os filhos em um ser obediente, sempre de prontidão à espera de ordens.

Educar é uma tarefa muito difícil, como já dizia Freud. Não existe uma receita pronta, mas sabemos que o equilíbrio entre o permitir e o proibir é o maior segredo educacional. Quando os limites são estabelecidos e a criança consegue respeitá-los, ela adquire autocontrole e responsabilidade e desta forma não será um problema na escola ou na sociedade. Os pais que permitem tudo, terão filhos ansiosos, agressivos e instáveis que não conseguirão se adaptar às leis e regras impostas em qualquer ambiente.

O fato de pais serem professores ou psicólogos não significa que, necessariamente,serão bons pais, pois quando entra a emoção, a teoria é esquecida.

Quanto aos estudos, deve haver rotinas diárias com horários fixos para as tarefas. Quando os pais demonstram interesse pela parte acadêmica do filho e quando questionam como foi sua rotina na escola ou pedem para ver suas tarefas, os resultados são melhores.

Uma boa parceria dos pais com a escola, faz com que os alunos se tornem mais ajustados, interessados e comprometidos com seus estudos. O envolvimento da família não deve ultrapassar limites, como por exemplo fazer as tarefas que são obrigações dos filhos e sim dar apoio emocional, tornando-os confiantes e capazes de realizar seus deveres.

É necessário, portanto, dar exemplos de limites e respeito, para que nossas crianças cresçam tendo consciência da dignidade humana, igualdade de direitos e solidariedade com o próximo,para que não tenhamos, por exemplo, casos como os divulgados constantemente pelas mídias de agressões insanas.

Por Elisabeth Batista de Castro
Psicóloga – Pedagoga e Bacharel em Direito
Mestre em Psicologia e Letras
Diretora do Sistema Degraus de Ensino

EDUCAÇÃO NUTRICIONAL

Sabemos que o período da infância é uma fase muito importante para a formação de bons hábitos alimentares e que as necessidades nutricionais devem ser supridas adequadamente para garantir um desenvolvimento saudável e feliz na vida adulta.

Hoje, nas escolas, torna-se necessário a inclusão de um profissional de nutrição para o acompanhamento das refeições assim como um ambiente agradável e prazeroso para as crianças.

Segundo a nutricionista Larissa Campra Diniz do Sistema Degraus de Ensino, uma escola creche que oferece quatro refeições diárias deve-se ater em realizar projetos e ações de educação nutricional, considerando hábitos familiares que estruturem o comportamento do aluno. Deve-se respeitar também o nível emocional de cada criança para que haja a compreensão em relação à qualidade dos alimentos que estão sendo ingeridos para assim se obter sucesso na prática da alimentação saudável nessa fase.

O alimento tem seu significado como o que alimenta o corpo e a emoção, e estando desgovernado deixa de ser benéfico à saúde podendo provocar um desequilíbrio descontrolado, seja no ganho ou na perda de peso. A ingestão do alimento quando não é bem trabalhada pode gerar um sentimento de culpa surgindo a partir daí uma situação de tristeza e ansiedade, iniciando assim um ciclo vicioso de crises de gula, compulsão alimentar, bulimia ou o contrário, a anorexia nervosa que é o não querer alimentar-se, que muitas vezes leva a criança a um estado de fraqueza podendo resultar em morte em casos extremos.

O alimento também pode ter um significado de controle social da criança em relação à mãe, ͞Se não come a mãe fica ansiosa͟, e muitas vezes surge a necessidade da introdução de técnicas de modificação de comportamento para conseguir-se um resultado positivo.

Os hábitos alimentares definem se o ser humano terá uma vida saudável ou não no futuro, influenciando seu desenvolvimento tanto no aspecto intelectual quanto no psicomotor, no emocional e no físico, gerando um compasso ou descompasso, em sua vida.

Por Elisabeth Batista de Castro
Psicóloga – Pedagoga e Bacharel em Direito
Mestre em Psicologia e Letras
Diretora do Sistema Degraus de Ensino

SEXUALIDADE NA ESCOLA

A educação sexual na escola é entendida como um trabalho complementar. Em princípio, é a família que deve transmitir os valores, e a escola completa e sistematiza a educação sexual, sem impor valores. É papel da escola abordar os diversos aspectos relacionados ao assunto, trazendo informações, questões, problemas e conhecimentos suficientes para que o aluno reflita e encontre a referência que deseja seguir.

O tema sexualidade deve ser planejado pela escola. Os educadores devem discutir com os alunos crenças, tabus e valores, dentro dos parâmetros pedagógicos, respeitando a individualidade e o comportamento de cada um. O objetivo é fazer com que o individuo aja de forma responsável e respeite a sua privacidade, intimidade e opção sexual, bem como a do próximo. Conscientizar sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), AIDS, métodos contraceptivos, gravidez precoce e cuidados com a saúde, além de combater a discriminação aos portadores também são assuntos indispensáveis a serem abordados na escola.

Temas fundamentais devem ser tratados pelo professor: o corpo humano, para que oaluno o conheça, saiba cuidar dele e aprenda a respeitá-lo; a discussão sobre gêneros, que busca incentivar uma visão mais flexível e questionamentos quanto aos papéis estabelecidos para o homem e a mulher na sociedade. O desenvolvimento psicossexual também deve ser de conhecimento do professor para que possa lidar com o aluno na respectiva fase em que se encontra.

Portanto, o ambiente escolar é muito importante para a discussão da sexualidade, uma vez que, permite ao aluno se informar com bases científicas, emitir e formar opiniãosobre a sexualidade e o comportamento , debater assuntos noticiados pela mídia, valores adotados pela família e pela sociedade.

Uma relação de carinho

É necessário saber que o pai tem tanta importância quanto à mãe na educação da criança e o seu papel é instituir a lei na constituição do sujeito, mas esta relação nem sempre se dá de maneira harmoniosa. A criança vai introjetar a figura do pai de acordo com a forma como este age: caso seja repressor, omisso ou ausente na relação. Todos esses fatores influenciarão na personalidade da criança no futuro.

A figura do pai é de suma importância porque a criança se identificará com ele, principalmente se for menino, porém no caso da menina, buscará uma figura com características do pai para ser companheiro no futuro. No processo de formação da personalidade, a criança se espelhará na figura do pai herói, bondoso, paique limita e dá ordens.

A mãe tem papel muito importante para firmar a figura do pai dentro de casa. Caso o cuidado devido não for tomado ela poderá tornar esse pai ausente ou anular sua presença com os filhos.

Portanto, para que a criança tenha um desenvolvimento saudável é preciso que os pais respeitem um ao outro e compartilhem as mesmas idéias com relação à educação dos filhos. Os pais devem entrar em um acordo sobre as regras para educar, ou seja, um nunca deve desautorizar o outro na frente da criança. Fazendo uma analogia, a criança é como um barco que precisa de um norte para seguir na vida, se ela não tem uma voz de comando, fica perdida e afunda. Se os comandantes são o pai e a mãe, eles precisam ter uma única direção, caso contrário suas atitudes trarão conseqüências danosas para a criança, podendo esta, se tornar uma pessoa dispersa, inquieta e sem concentração, ou poderá desenvolver, ate mesmo, uma doença psíquica. Outra conseqüência é o filho se aproveitar dessa situação para manipular os pais e causar conflitos entre o casal, que,em muitos casos, levam à separação.

A relação entre pais e filhos fica marcada até mesmo na vida afetiva e sexual do indivíduo. No futuro, a mulher pode projetar a figura do pai no sexo oposto e, se essa imagem for negativa, pode trazer dificuldades derelacionamento. Por outro lado, o filho pode querer se afastar da figura paterna e se refugiar em uma perversão.

Nessa relação familiar, a mãe é razão e emoção, por ser cúmplice da vinculação entre o pai e o filho, e o pai é a lei, porque vai determinar os limites. Portanto, esse pai tem que equilibrar carinho e autoridade. Isso diminui o grau de angústia da criança e permite que se torne um adulto saudável emocionalmente ao se espelhar nas atitudes positivas desse pai. Quando a criança se torna angustiada, ela terá certos comportamentos, que irão influenciar em sua aprendizagem, pois a angústia é um sinal de que ela, a criança, não está bem e que existe uma situação de desamparo. É como uma febre que sinaliza quando o sujeito está com infecção. Quando intensificada, a angústia pode se manifestar através de vários sintomas: inquietude na escola, insônia, medo, urinar na cama ou parar de comer. É como se a febre atingisse 40º, surgindo a convulsão como defesa física. O sintoma é uma válvula de escape, momentânea, precária, mas a única que pode garantir certa ordem ao sujeito.

A importância de um psicólogo para detectar os sintomas, que poderão aparecer na escola, torna este profissional imprescindível na orientação à família.

Por Elisabeth Batista de Castro
Psicóloga – Pedagoga e Bacharel em Direito
Mestre em Psicologia e Letras
Diretora do Sistema Degraus de Ensino

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